Só a poesia sobrevive
- Flavia Quintanilha

- 22 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2025
Li O conto da aia em 2017, mas somente há um mês resolvi assistir a série “The Handmaid's Tale”. Sim, tenho um hábito incorrigível de ver séries após vários anos de seu lançamento, isto me distancia dos julgamentos particulares dos gurus de 30 segundos de informação que povoam a internet. Inicio o texto de hoje evocando essa imagem repugnante da República de Gileade, como um alerta do que vem nas linhas que seguem. Há dias estamos em uma luta contra o “PL 1904, o qual equipara o aborto acima de 22 semanas gestacionais, mesmo aqueles para casos garantidos em lei, ao crime de homicídio e prevê pena de até 20 anos de prisão para as mulheres, meninas e pessoas que gestam que realizarem a interrupção da gravidez”. Qualquer pessoa que nasceu no Brasil após 1932 – ano em que as mulheres conquistaram o direito ao voto –, viu ser publicado o “Segundo Sexo” e testemunhou a legalização do direito ao aborto na França em 1975, tem a mínima noção do que a luta pelos direitos das mulheres representa. Não pretendo ficar chovendo no molhado para explicar o óbvio, que estamos retroagindo como Estado de Direito ao propormos tal PL. Quero ir um pouco além do problema prático da inaptidão de determinados parlamentares, porque mesmo se voltássemos ao ano de 1904 não estaríamos em situação tão absurda.


